Ao longo da história, a relação do ser humano com Deus tem sido marcada por diferentes sentimentos e concepções. Em muitos momentos, predominou o medo; em outros, a tentativa de barganha; e, em estágios mais elevados, o amor incondicional. À luz da Doutrina Espírita, somos convidados a refletir profundamente sobre qual dessas posturas é coerente com a verdadeira compreensão de Deus e das leis divinas.
No período primitivo da humanidade, o medo foi um dos principais elementos da religiosidade. Deus era visto como uma entidade punitiva, severa, pronta a castigar os erros humanos. Essa visão, compreensível em épocas de menor desenvolvimento moral e intelectual, contribuiu para disciplinar comportamentos, mas também gerou distorções profundas na percepção da divindade. O Espiritismo, entretanto, apresenta Deus como soberanamente justo e bom, afastando a ideia de um ser vingativo.
A noção de barganha com Deus também é bastante comum até os dias de hoje. Se Deus me der isso ou aquilo eu vou fazer penitencias etc. Muitas pessoas acreditam que podem obter favores divinos por meio de promessas, sacrifícios ou rituais específicos. Essa prática revela uma compreensão ainda limitada da justiça divina, como se Deus pudesse ser influenciado por interesses humanos. Segundo Kardec, as leis divinas são imutáveis e perfeitas, não estando sujeitas a negociações. O que realmente importa é a transformação íntima do indivíduo, sua reforma moral e o esforço sincero de evolução.
Como disse o Chico uma vez: As leis de Deus são imutáveis mas a sua misericórdia é certa quando nossos atos estão em conformidade com os ensinos de Jesus.
A Doutrina Espírita nos conduz a um entendimento mais elevado: Deus não deseja temor nem negociações, mas sim o desenvolvimento do amor. O amor incondicional é a expressão mais pura da ligação entre a criatura e o Criador. Esse amor se manifesta na prática do bem, na caridade, na compreensão e no perdão. Como ensinado no Evangelho Segundo o Espiritismo, fora da caridade não há salvação, indicando que o caminho para Deus passa inevitavelmente pelo amor ao próximo.
Amar a Deus, portanto, não significa temê-lo como um juiz implacável, nem tentar agradá-lo por meio de trocas, mas sim compreender suas leis e vivê-las plenamente. Esse amor se constrói através do autoconhecimento, da superação das imperfeições e do compromisso com o bem. É um processo contínuo de crescimento espiritual.
Assim, à luz do Espiritismo, somos convidados a abandonar o medo e a barganha, substituindo-os por uma relação baseada no amor consciente e na confiança na justiça divina. Não a esperança em buscas imediatas e materiais, mas uma busca de respostas e caminhos. Deus não exige submissão cega, mas nos convida a evolução. Não espera promessas, mas atitudes. Não impõe castigos arbitrários, mas permite que colhamos os frutos de nossas próprias ações, sempre oferecendo novas oportunidades de aprendizado e redenção.
Concluímos, portanto, que o verdadeiro caminho espiritual não está no temor nem na negociação, mas no amor incondicional. Busca Deus dentro de nós. Viver a vida em toda a sua plenitude. Saber que esse amor é a chave da evolução, a ponte que nos liga a Deus e o fundamento de toda a moral espírita. Ao compreendermos isso, damos um passo significativo em direção à nossa própria transformação interior e assim à construção de um mundo mais justo e fraterno.
Prof Wagner Ideali
